Supressão Adrenal pelo Etomidato: Isso Realmente Importa?

Authors

  • Lauro de Almeida Passos Filho
  • Lucas Pla Cid Senra
  • Yuri Vasconcelos Pitombo Tubone
  • Reinaldo da Silva Santos Junior

DOI:

https://doi.org/10.35753/theefd61

Keywords:

Etomidato, Sequência Rápida de Intubação, Terapia Intensiva, Insuficiência Adrenal, Medicina Baseada em Evidências

Abstract

O etomidato permanece amplamente utilizado para indução anestésica durante a intubação traqueal do paciente criticamente enfermo, em razão de sua relativa estabilidade hemodinâmica imediata. Contudo, a inibição da 11β-hidroxilase e a consequente supressão transitória da produção de cortisol sustentam controvérsia persistente há mais de quatro décadas. As primeiras preocupações surgiram em 1983, quando Ledingham e Watt relataram aumento de mortalidade em pacientes politraumatizados submetidos à sedação contínua com etomidato em unidade de terapia intensiva. Desde então, a discussão deslocou-se para o impacto clínico da dose única administrada para intubação. Revisões sistemáticas e metanálises recentes sintetizaram evidências heterogêneas sem resolver definitivamente a tensão entre benefício hemodinâmico imediato e potencial dano endócrino. Em 2025, o ensaio pragmático multicêntrico RSI randomizou 2.365 adultos criticamente enfermos para cetamina ou etomidato. Não houve redução da mortalidade hospitalar em 28 dias com o uso de cetamina; ao contrário, observou-se maior incidência de colapso cardiovascular peri-intubação nesse grupo. À luz da medicina baseada em evidências, o etomidato não deve ser tratado como agente universalmente ideal nem como fármaco a ser rotineiramente abandonado. A decisão deve ser contextual, integrada ao risco hemodinâmico imediato, ao comparador disponível e à distinção entre plausibilidade biológica e benefício clínico comprovado.

Published

2026-03-31