O Impacto da Microbiota Intestinal em Oncologia
DOI:
https://doi.org/10.35753/rchsi.v9i1.583Palavras-chave:
Câncer, Microbiota, TratamentoResumo
O câncer se tornou uma das principais causas de morte no mundo desde a segunda metade do século XX, com aumento da incidência e mortalidade, inclusive em indivíduos jovens. Paralelamente, avanços terapêuticos, especialmente na imunoterapia, transformaram o tratamento oncológico ao modular a resposta imune contra os tumores. A eficácia dessas terapias, no entanto, depende fortemente do microambiente tumoral. Esta revisão aborda o racional para o desenvolvimento de testes diagnósticos de disbiose intestinal e o uso de estratégias de modulação da microbiota intestinal como forma de potencializar os efeitos da imunoterapia em pacientes com câncer. Fatores intrínsecos e extrínsecos, como genética, agentes infecciosos, exposição a antibióticos e composição da microbiota, influenciam diretamente a imunidade antitumoral. Evidências recentes destacam o papel da microbiota e da barreira intestinal na homeostase imunológica. Observam-se impactos negativos dos antibióticos sobre a eficácia da imunoterapia, associação entre composição da microbiota e desfechos clínicos, modelos murinos que demonstram relação causal e estudos clínicos promissores de intervenções como transplante de microbiota fecal, uso de prebióticos, dieta e produtos bioterapêuticos vivos. A compreensão dos mecanismos que envolvem a microbiota intestinal representa uma promissora fronteira para o desenvolvimento de biomarcadores e terapias complementares que aumentem a eficácia dos tratamentos oncológicos.