Anticorpos Monoclonais no Tratamento da Doença do Espectro da Neuromielite Óptica (DENMO): Uma Revisão Sistemática

Autores

  • Paulo Ricardo Sampaio de Melo
  • Camila Maria Barreto Ribeiro
  • Eduardo de Oliveira Costa
  • Lucas Silva Santos
  • Caio Fellipe Santos Correia
  • Laura Kataryne Duran Campos
  • Daniel Lordelo San Martin
  • Pedro Antônio Pereira de Jesus

DOI:

https://doi.org/10.35753/c2mwgw05

Palavras-chave:

Revisão Sistemática, Doença do Espectro da Neuromielite Óptica, Anticorpos Monoclonais, Tratamento

Resumo

Introdução: A Doença do Espectro da Neuromielite Óptica (DENMO) é uma enfermidade inflamatória autoimune rara do sistema nervoso central, que acomete principalmente os nervos ópticos e a medula espinhal. Sua fisiopatologia está fortemente associada à presença de anticorpos anti-aquaporina-4 (AQP4-IgG), que promovem lesão astrócitária, desmielinização e deficiência neurológica. As limitações das terapias imunossupressoras convencionais impulsionaram o desenvolvimento de tratamentos imunobiológicos direcionados, especialmente com anticorpos monoclonais. Este estudo tem como objetivo revisar sistematicamente as evidências atuais sobre a eficácia e segurança dos anticorpos monoclonais no tratamento da DENMO. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática e metanálise conforme as diretrizes PRISMA e o Cochrane Handbook. A busca foi conduzida nas bases Medline, Cochrane e LILACS, abrangendo ensaios clínicos randomizados (Fases 2 a 4) publicados entre 2005 e 21 de maio de 2025. Foram incluídos estudos que avaliaram anticorpos monoclonais no tratamento da DENMO, segundo os critérios diagnósticos de 2015, e que reportaram desfechos clínicos de eficácia e segurança. A extração dos dados e a avaliação do risco de viés (Cochrane RoB 2.0) foram realizadas por dois revisores independentes. Resultados: Dos 104 estudos inicialmente identificados, 8 ensaios clínicos randomizados preencheram os critérios de inclusão, totalizando 793 pacientes, com média de idade de 43,2 anos, sendo 89% do sexo feminino. As intervenções avaliadas incluíram rituximabe, inebilizumabe, eculizumabe, ravulizumabe, satralizumabe e tocilizumabe. Todos os estudos demonstraram redução consistente na taxa de recaídas e aumento do tempo até o primeiro surto. Entretanto, os desfechos relacionados à funcionalidade e qualidade de vida apresentaram resultados heterogêneos. A maioria dos estudos não evidenciou diferenças significativas na incidência de eventos adversos graves entre os grupos avaliados. O risco de viés global foi moderado a alto, com problemas recorrentes na randomização e na mensuração dos desfechos. Conclusão: Os anticorpos monoclonais mostraram-se eficazes e, em geral, seguros na redução do risco de recaídas na DENMO, representando um avanço importante em relação aos tratamentos convencionais. No entanto, o alto risco de viés nos estudos disponíveis e os elevados custos dessas terapias reforçam a necessidade de novos estudos de maior qualidade metodológica que orientem decisões clínicas e políticas de saúde pública.

Publicado

2025-06-30